quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Resenha: E se Fosse verdade - Marc Levy

"Olhe bem tudo que temos em volta: água agitada, árvores, luzes que brincam a cada minuto do dia, mudando de intensidade e de cor, pássaros que circulam acima das nossas cabeças, peixes que tentam não ser pegos pelas gaivotas e continuam à caça de outros peixes. É toda uma harmonia de sons: das ondas, do vento, da areia. No meio desse concerto incrível de vidas e matérias, estamos você, eu e todos os seres humanos em volta. Quantos deles veem tudo isso que acabo de enumerar? Quantos se dão conta, a cada manhã, do privilégio que é acordar e ver, sentir, tocar, ouvir? Quantos de nós são capazes de esquecer por um instante as preocupações, para se maravilhar com esse espetáculo fantástico? Acho que a maior inconsciência do homem é com relação à própria vida." pág. 116

Todo mundo já viu o filme “E se fosse verdade” na Sessão da Tarde, não é mesmo?
 Aquele com o Mark Rufalo e a Reese Witherspoon. Por eu já ter visto o filme umas 3 vezes, fiquei meio desmotivada para ler o livro que deu origem a ele, pois como já disse aqui gosto sempre de ler o livro primeiro e depois ver o filme, mas nesse caso, eu nem sabia que o livro existia e que era de Marc Levy que eu adoro!

Mesmo meio desanimada eu peguei o livro para ler, e para minha grata surpresa o livro é totalmente diferente do filme! É como se fosse uma estória parecida, mas com vários pontos que se distanciam. Até porque esse livro tem continuação! :)

Lauren é um residente de medicina, muito focada, de gênio forte que sofre um acidente de carro e fica em coma. Após 6 meses nesse estado, sua mãe coloca o apartamento da filha para locação.
Arthur é o locatário. Um belo dia encontra uma mulher em sua sala. Ele acha que é pegadinha do sócio, tenta expulsa-la da casa, acha que ela é maluca, mas por fim  acaba indo ao hospital e vendo-a na cama, só assim acredita na situação de Lauren.

“Não tenho irmã nenhuma. Sou eu, deitada ali, eu mesma. Faça um esforço e tente admitir, mesmo parecendo inadmissível. Não tem truque nenhum e não ache que está dormindo. Só tenho você, Arthur, tem que acreditar, não me vire as costas. Preciso da sua ajuda, é a única pessoa na Terra com quem falo há seis meses, o único ser humano a sentir minha presença e me ouvir”. P. 47

Paul, o sócio, acha que Arthur esta ficando louco, pois vê o amigo falando sozinho e agindo de forma estranha. Leva-o para fazer uma bateria de exames, que dão normais, e mesmo em dúvida fica do lado de Arthur.
Paul é um  personagem que ganha a trama porque ele é muito engraçado! Vale boas risadas.

O personagem de Arthur é muito sensível, muito fofo! Não tem como não ama-lo! Lauren aprende aos poucos a administrar o gênio forte, o final é meio frustrante, mas fiquei logo sabendo que temos a continuação desse livro.

A escrita de Levy é um pouco lenta, mas cheia de romance e logo o leitor se envolve na trama.

O livro é cheio de frases de"auto ajuda” e por mais clichês que possam parecer, eu adoro! Porque sempre tem uma que se encaixa certinho num momento difícil que você possa estar vivendo.


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Resenha: A maldição do olhar - Jorge Miguel Marinho

"A única falta que sentia era o encanto de fazer uma guirlanda de margaridas ou rosas azuis. Não pelo adereço que lhe dava uma aparência meio débil, mas pela alegria de escolher as flores e arrancar a beleza pela raiz. Lamentava que o coelho com olhos cor de rosa não se multiplicasse na esterilidade do sonho e só restasse dele um colete branco, um relógio quebrado, uma pata em forma de chaveiro que ela usava como fetiche nos últimos anos de vazio. Alice não suportava lembrar do passado e estava decidida a abandonar o fundo do espelho por mais que a vida fosse a maravilha das maravilhas naquele estranho país." p. 42

"A maldição do Olhar" conta a estória de Alê, um adolescente que não sabe ao certo se é vampiro ou se é um humano. Ele vive com o pai José Régio que é um vampiro decadente, que já perdeu todos os caninos por falta de dinheiro, trabalha num cartório e sonha em se aposentar em ir para a Aústria.
Alexandre também convive com a madrasta Elza por quem tem alguns sonhos levemente sensuais. Ela trabalha em um motel. Nem ela e nem Alê sabem se realmente são imortais. Porem uma onda de assassinatos contra vampiros os deixa em alerta, eles começam a andar com alho, água benta, estaca de prata...para se defenderem de qualquer potencial assassino.
Qualquer humano é suspeito já que eles correm enlouquecidamente atrás de uma fórmula que os deixem sempre jovens.

Dentro do quarto de Alê, mais precisamente dentro do guarda roupa, há um espelho... um espelho até então sem utilidade já que vampiros não conseguem ver sua imagem refletidas neles, porem dentro desse mágico objeto esta presa a Alice do País das Maravilhas.
Ela quer se ver livre daquele lugar maravilhoso, quer ver o que há do outro lado. Alê só consegue se ver através dos olhos de Alice, e aí surge uma bruma de Narcíso.
O livro em si é pequeno, são 120 páginas, mas ele é denso, forte e faz o leitor pensar.

Não tem apenas um mote, são vários, e cada leitor tem a possibilidade de se agarrar ao que mais se identificar. Existe o suspense em desvendar quem é o verdadeiro assassino, tem a dualidade do ser (meio Milan Kundera), tem a questão da descoberta do sexo, a descoberta do amor, a dúvida em ser feminino ou masculino.

É um livro juvenil, mas que pela linguagem, pelos simbolismos e pela série de interpretações que são possíveis através dele, acredito que vá atrair muito mais os adultos.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Resenha: A garota do penhasco - Lucinda Riley

"Enquanto permaneço aqui sentada meditando sobre a história que vou lhe contar (...) devo ressaltar que ela tem um tema predominante. Esse tema, é claro, é o amor, e as escolhas que todos fazemos por causa desse sentimento.
Muitos de vocês pensarão de imediato que me refiro ao amor de um homem e uma mulher, e em grande parte é isso mesmo, sim. Mas há outras formas preciosas de amor que merecem consideração: por exemplo, a de um pai ou de uma mãe por um filho ou uma filha". pág 8

Com certeza você já ouviu falar de Lucinda Riley ou de seus livros que nos emocionam devido a enorme carga emocional que carregam e pelas histórias longas e muito bem contadas.
Em "A Garota do Penhasco" não é diferente.

Grania é uma mulher independente que saiu da Irlanda há 8 anos e foi morar em Nova York, lá encontrou o amor nos braços de Matt, um psicólogo, filho de um casal rico e arrogante. Ela nunca quis casar com ele, apesar de morarem juntos todos esses anos. Ambos decidem que esta na hora de terem um filho, e para a alegria de ambos, logo Grania engravida, no entanto no 4o mês de gestação ela tem um aborto espontâneo. A tristeza a consome e ela volta para a Irlanda sem falar nada com Matt. (Na verdade tem um motivo, que no final do livro você ficará sabendo).
Em West Cork, ela retorna  à casa dos pais, e conhece uma garota dançando no penhasco, essa é a pequena Aurora Lisle, 8 anos, orfã de mãe há 4. Ela é filha do lindo Alexander, ambos retornaram a pouco tempo de Londres e moram na mansão no alto da colina. 
A menina é muito solitária e ambas se tornam amigas.

"- Ora, tenha dó mãe! Aurora é só uma criança sem mãe que acabou de se mudar de volta para cá (...)
Kathleen suspirou  e sussurrou para sim mesma : - E você é uma mãe sem filha". pág. 53

A mãe de Grania, Kathleen,  não gosta da aproximação da filha com a família Lisle, e decide contar à ela a história por trás dessas famílias, uma estória centenária de amor, luto, morte, dor, e que envolve mais pessoas do que Grania pode imaginar.

"A Garota do Penhasco" é uma estória longa! São mais de 520 páginas, mas a forma como Lucinda conta nos prende de tal forma, que é impossível parar a leitura.
Quando Grania começa a conhecer a estória de Mary e Ryan tudo fica mais interessante, porque o leitor começa a juntar os pontos.

Fiquei extremamente comovida com Mary, com seu amor sem igual, com sua habilidade de cair, se levantar, e batalhar, sempre agindo com o coração e por amor, mesmo que esse não seja retribuído da forma como ela imaginava.  (Não vou me alongar nesse assunto para não cometer spoiler na resenha).

Aurora é uma menina fantástica, de uma maturidade e uma capacidade inata de conseguir lidar com os obstáculos da vida, e nos dá tantas lições! Sua mãe suicida-se quando ela tinha 4 anos de idade, Lily se joga do penhasco na frente da casa, e mesmo assim, a menina consegue ama-la, entende-la e passar por cima desse e de outros "senões" que a vida lhe guarda.

Garnia é uma mulher que cresce e amadurece muito no decorrer da história, ela consegue se conhecer melhor, lidar com seus medos, teimosia e orgulho.

Senti na leitura um "Q" de "Cem Anos de Solidão", depois queria a opinião de quem leu os dois livros, se acham isso também. 

"Quer dizer que enquanto você esta ai sentada na rocha, eu não estou junto de você, amando você como sempre amei, só porque não pode realmente me ver?"

Ah! E pegue o lencinho, porque você provavelmente vai chorar no final.