“Quanto mais conhecia Madora, mais sentia que havia nela solidão e tristeza que correspondiam aos mesmos sentimentos que havia nele e que, quando conseguisse encontrar uma maneira de conforta-la, isso o faria sentir-se melhor também. Ele não sabia como faria isso, mas estava determinado a inventar algo mais cedo ou mais tarde”. P. 149
Eu já li muito livro por achar a
capa linda, mas quando vi a capa de “Adeus à inocência” confesso que tive que ler
a sinopse para me interessar. Olhem a capa americana que fofa!
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| Táitulo em inglês: Little Girl Gone |
“Adeus à Inocência” conta a estória
de Madora, Willis e Django e se passa em Yuma/Arizona.
Madora é uma menina de
12 anos quando seu pai suicida-se com um tiro na cabeça no meio do deserto. Tal fato
fez com que a família se desestabilizasse.
Passados 5 anos do ocorrido, sua mãe continua em depressão e a
menina parou de estudar e se envolveu com más companhias.
Até que conheceu Willis Brock, um
rapaz de cabelos compridos, bonito e extremamente respeitador. Ele coloca
Madora na linha novamente e depois de alguns anos vão morar juntos numa casa
abandonada no deserto. Madora é extremamente apaixonada por ele. Ela é capaz de
todas as loucuras em nome desse amor, pois acredita em Willis cegamente, e deseja montar uma família com ele.
No terreno onde moram, além do casebre e de
muito ferro velho espalhado, existe um trailler que serve de abrigo para a Linda, uma garota
grávida que Willis sequestrou e aprisionou. Willis tem um dom de persuasão
muito forte e convence Madora que esse é o melhor que eles podem fazer por uma
garota grávida e perdida.
“Mesmo as jovens ainda com gordurinha da infância. As mais velhas, as magrelinhas, usavam jeans abaixo dos quadris estreitos, ostentando tatuagens de borboletas e os T das calcinhas fio dental. Havia 2 ou 3 que ele seguira até em casa no passado para certificar-se de que estariam a salvo. Ele queria jogar casacos e cobertores sobre todas elas, sair com elas embrulhadas, trancá-las até que caíssem na real e encontrassem alguma dignidade, algum amor-próprio”. P. 137
Nesse meio tempo, conhecemos
Django, um garoto de 12 anos que perdeu o pai e mãe num acidente de carro. Ele
é de família extremamente rica, pois seu pai era um guitarrista astro de rock, porem agora
sem eles, o garoto teve que ir morar numa cidade desértica com a tia Robin, uma mulher um tanto fria que ele mal conhece.
Django e Madora começam uma
amizade por causa de Foo, o cachorro de Madora, e aos poucos ela consegue perceber que nem tudo é como imagina/parece.
“Quem teria imaginado que Madora fosse desenvolver pensamentos próprios?” p. 144
A escritora mostra 3 personagens
completamente diferentes, conseguimos entrar na mente de cada um deles e até mesmo entendê-los.
Madora sofreu demais a perda do pai e de certa forma coloca Willis no lugar
dele, este tem alguns motivos que o levaram a uma ideologia fanática de “salvar
meninas”. Django apesar de ser um menino ainda, tem uma forte visão do que é
certo e errado. Ele é a consciência que faltava a Madora.
=> Será que conseguirá
resgata-la do fundo do poço?
A narrativa é em 3ª pessoa, as
estórias se intercalam, ora ficamos com a estória de Madora ora com a de Django.
A leitura é rápida, dinâmica,
tem momentos de suspense e o que mais me deixou intrigada é que mesmo tendo lido o livro inteiro, ainda não consigo ter um posicionamento sobre Madora, e é exatamente esse
mesmo sentimento que a permeou o livro todo.
=> Será que ela é tão culpada
quanto Willis?
O deserto em que vivem não é só
físico, como também emocional e psicológico. Todos personagens vivem numa
desolação, numa falta de esperança. Achei sensacional a escritora conseguir nos
mostrar tão bem essa ligação.
Gostei muito da estória, principalmente porque é
muito atual e o mais interessante é como a escritora conseguiu humanizar cada
uma das personagens.





