segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Reflexão da Semana: A despedida do Amor

A DESPEDIDA DO AMOR


Martha Medeiros



Existem duas dores de amor:

A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão embrulhados na dor que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado. Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também...

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir, lembrança de uma época bonita que foi vivida... Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual a gente se apega. Faz parte de nós. Queremos, lógicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente, e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a "dor-de-cotovelo" propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: "Eu amo, logo existo".

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente...

E só então a gente poderá amar, de novo

9 comentários:

  1. Quase contradizendo o poeta: o eternizamos e ele não mais dura. rsrs
    Beijos.

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  2. Que lindo esse texto, aliás adoro a autora. Parabéns pela escolha.

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  3. Nossa, fiquei emocionada por q estou passando por essas dores, é verdade , mas são fases que precisam ser vividas, não há como escapar, faz parte do amadurecimento pessoal...

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  4. Acho que precisava ler isso hoje
    obrigada, beijos

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  5. Adorei o Post. Texto ótimo da Martha!
    Lila Czar
    seviracom30.blogspot.com

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  6. Amar é muito bom! Eu não me vejo sem meu namorado q é quase meu marido já faz bem demais!

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  7. Legal o texto ,pra mim a despedida do amor foi quando meu grande amor platônico se juntou c om uma mulher.Mais fazer o que ,doi né.mas que sejam felizes!

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